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O desapego da dor

  • 18 de jan. de 2025
  • 1 min de leitura

"(...) o objetivo mais nobre da psicoterapia não é colocar o paciente num

estado impossível de felicidade, mas sim possibilitar que adquira

firmeza e paciência filosóficas para suportar o sofrimento".

(JUNG, OC16/1, § 185)


A dor pode ser vista como uma expressão simbólica, um portal para o inconsciente que guarda não apenas sofrimento, mas também significado. O que permanece na dor é, muitas vezes, uma resistência inconsciente ao desapego, um medo de que curar-se signifique esquecer, apagar ou invalidar a importância daquilo ou de quem foi perdido.

A dor não precisa ser um lugar de estagnação, mas pode tornar-se um ponto de partida para uma transformação mais profunda. Mas será que apegar-se à dor realmente  sustenta a memória? Ou será que impede a vida de seguir seu curso natural de transformação?

A psicoterapia oferece um espaço seguro para explorar essas questões, permitindo que a dor seja acolhida, reconhecida e transformada. O psicólogo, como um guia nesse processo, auxilia o indivíduo a compreender o que a dor está simbolizando e como ela pode ser integrada à sua história pessoal sem que o passado paralise o presente.

Que caminhos novos podem se abrir quando nos permitimos transformar essa ferida?Talvez o verdadeiro vínculo não esteja na dor, mas no significado que construímos a partir dela por meio da exploração, compreensão e integração à consciência.

A psicoterapia nos convida a aceitar que a cura não é uma traição ao passado, mas uma forma de buscar um equilíbrio interno que permita ao indivíduo viver de forma mais plena e significativa, sendo este o sentido da cura.




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